segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Somos filhos do planeta Terra


por Manoel Lopes
Cerâmica fabricada pela cultura manacapuru
A doutrina seguida pelo Núcleo Mata Verde revela aspectos desconhecidos pelos não iniciados, ou seja, é um conhecimento esotérico e que através da autorização de seus mentores agora a vem a público.


É importante revelar que seus ensinamentos são milenares, mas que durante séculos ficaram escondidos dos leigos, leia-se “dos não iniciados”.


A grande maioria das pessoas que buscam o conhecimento dito esotérico encontram somente literaturas superficiais e que na sua essência são somente transcrições de textos antigos e populares, que nunca revelaram o conhecimento real dos mestres iniciados.


Naturalmente que o conhecimento que agora se abre através da chamada DOUTRINA DOS SETE REINOS SAGRADOS, já está guardado no íntimo de todos aqueles que em alguma de suas vidas passadas foram iniciados nos sagrados conhecimentos da COROA DOS ORIXÁS.


A linguagem utilizada neste texto é simples e os termos usados para designar seus princípios são os mesmos utilizados na “versão” popular. Mas por trás de sua simplicidade finalmente os mentores abrem aos leigos toda sua sabedoria.


A UMBANDA prega a simplicidade, humildade e caridade e sua doutrina não poderia ser apresentada de outra forma, a não ser através de princípios simples e lógicos.


Era costume nas grandes ordens iniciáticas da antiguidade, para esconderem seus verdadeiros princípios dos curiosos, dos não iniciados e da população em geral, criarem alegorias e fábulas, ou distorcerem conceitos, mas deixando nas entrelinhas a verdade.
Moais















O povo se contentava com estas alegorias, idolatrava e cultuava seus deuses, o que acabou criando enormes deformações do conhecimento original.


As pessoas, de uma maneira geral, buscam estes conceitos que os antigos mestres nos deixaram, mas acreditam que irão entender os conceitos mais profundos da verdadeira sabedoria através das alegorias e lendas; foi através destas interpretações simplistas e erradas que o conhecimento secreto, continuou até os dias de hoje incompreendido pelos ditos iniciados da era moderna.


Os princípios desta sabedoria milenar, tão bem disfarçados durante milênios, tem suas raízes na formação do planeta, que é a origem do ser humano e naturalmente de todo seu conhecimento.


Iremos nas linhas seguintes iniciar o processo de revelação a todos aqueles que já estejam preparados para isso.


A verdade já está no intimo daqueles que, em encarnações passadas, foram iniciados na sabedoria da coroa dos orixás e estas pessoas perceberão de imediato que algumas linhas são suficientes para fazer brotar do seu interior uma enorme quantidade de informações e respostas…


Tornamos a repetir que a finalidade deste texto não é simplesmente transcrever regras ditas mágicas, ocultas, esotéricas que são do conhecimento popular; você não irá encontrar neste estudo este conhecimento popular e sim respostas reais, concretas e que serão uma base sólida para sua compreensão do universo, da vida, das pessoas e de sua natureza intima.


O começo de tudo
















Somos filhos do planeta Terra e como bons filhos, precisamos conhecer sua história e aí então compreenderemos também a nossa história.
Eras Terrestres


Há aproximadamente 4 a 5 bilhões de anos uma nuvem de poeira cósmica começou a se juntar e devido a força da gravidade foi se condensando mais e mais, até que em determinado momento formou-se uma “esfera” incandescente.


Este é o momento do Fiat lux do nosso planeta, neste momento inicial (que durou milhões de anos) a aparência do planeta era de uma “bola” de fogo, uma massa ígnea, uma massa de rocha líquida (Magma) de altíssima temperatura.


Era um momento de muita energia, muita luz, forças incríveis, irradiações de todas as naturezas se espalhando pelo universo a partir de nosso planeta, é neste momento que começaram a se fundir estruturas que seriam a sustentação da vida em nosso planeta.


Este processo inicial foi acompanhado e dirigido por inteligências superiores que já tinham seguido seu caminho evolutivo a bilhões de anos atrás em outras épocas e regiões do espaço infinito.


Estas inteligências que acompanharão e participarão do processo de formação do nosso planeta são chamadas de ORIXÁS PRIMORDIAIS.
Magma






















Em todas as tradições antigas eles são citados e também conhecidos com outros nomes, como por exemplo: espíritos de Deus, co-criadores do universo.
Para entendermos de forma simples este processo de formação planetária e suas implicações em nossa vida, iremos apresentar um modelo que iremos chamar de SETE REINOS SAGRADOS.
Nesta primeira fase evolutiva do planeta, devido a sua semelhança com o elemento fogo, chamaremos de REINO DO FOGO.
Passados alguns milhões de anos e com o resfriamento da superfície do planeta começa-se a formar em sua superfície a CROSTA TERRESTRE.
Nesta nova fase, outras inteligências superiores (Orixás Primordiais) se apresentam para acompanharem a estruturação do planeta.
É neste período que aparece em nosso planeta as rochas, as pedras, os cristais.
Esta fase da evolução (elaboração) do planeta é chamada de REINO DA TERRA.
Após milhões de anos, devido às atividades vulcânicas forma-se ao redor do planeta a primeira ATMOSFERA; que era constituída de gases bem diferentes da atual atmosfera.
Novamente outras inteligências superiores são encaminhadas para acompanharem este processo de evolução planetária e que pelas semelhanças com o elemento ar chamaremos de REINO DO AR.

Vulcão


  





















Passados alguns bilhões de anos e devido ao resfriamento da atmosfera houve a condensação do vapor d’água e fortes chuvas começaram a cair sobre a superfície do planeta. É nesta fase da evolução planetária que aparece em sua superfície a água, o mar, os rios…

Pela semelhança com o elemento água chamaremos esta fase evolutiva de REINO DA ÁGUA e entre todos os reinos lembramos que foi neste reino que apareceu a VIDA no planeta; isso aconteceu há 3 bilhões de anos.

Podemos afirmar sem sombra de dúvidas que a VIDA SURGIU NA ÁGUA, este o motivo pelo qual os Orixás ligados a água sejam de alguma forma considerados Mães. (Iemanjá, Oxum, Nanã)

O tempo foi passando em nosso relógio cósmico e novas inteligências se apresentaram para acompanharem e fazerem sua parte na formação de mais um reino em nosso planeta.
Mata
  




















Há aproximadamente 350 milhões de anos começou a se formar na superfície do planeta as primeiras florestas.

Foi neste reino, que chamaremos de REINO DAS MATAS, que surgiram os insetos, os repteis, os mamíferos e demais animais.
O tempo passou e as inteligências que acompanhavam o desenvolvimento do planeta elaboravam estruturas cada dia mais complexas.

Aproximadamente a um milhão de anos surgiu na superfície do planeta os primeiros seres que seriam a origem do homem como conhecemos na atualidade: Homo Habilis, Homo Erectus e finalmente o Homo Sapiens.

A arqueologia confirma que os primeiros restos de fosseis que podem ser atribuídos com relativa segurança à nossa espécie, Homo Sapiens, têm em torno de 300.000 anos.

Chamaremos este período de REINO DA HUMANIDADE, pois é nesta fase que aparece na superfície do planeta o Homem.
É desnecessário falar que outras inteligências superiores foram chamadas para acompanharem o nascimento da raça humana na superfície do planeta, lembramos que estas inteligências superiores são os chamados ORIXÁS PRIMORDIAIS.


Evolução Humana
A estas seis fases evolutivas do planeta que foram chamados de REINOS adicionamos mais um, que chamaremos de REINO DAS ALMAS, designando toda a VIDA ESPIRITUAL do planeta Terra.

Resumindo podemos afirmar então que existem SETE REINOS que fazem parte da nossa realidade material e espiritual e que cada um destes reinos tem sob sua supervisão inteligências superiores que são conhecidas por vários nomes, nas varias tradições existentes, e que neste modelo Umbandista foram apresentados como os ORIXÁS PRIMORDIAIS.

Não conhecemos os “nomes” de todos estes Orixás Primordiais, mas toda a vida, toda a espiritualidade, e todos os Orixás Ancestrais conhecidos nos cultos de Nação são “filhos” destes Orixás e cada um destes Orixás Ancestrais está vinculado a um ou mais destes SETE REINOS SAGRADOS.

Em outros textos nos aprofundaremos nesta questão, identificando as centenas de Orixás existentes e que no Candomblé são chamados de qualidades, também estudaremos pormenorizadamente todas as linhas de trabalho existentes na Umbanda a partir destas sete vibrações primordiais.

A Fé
 
















É desnecessário saber o “nome” africanizado destes sete Orixás Primordiais, o que necessitamos é entender e sentir a existência destes SETE REINOS, destas SETE VIBRAÇÕES, destas SETE FORÇAS PRIMORDIAIS.

Estaremos relacionando abaixo os nomes dos Orixás mais conhecidos da umbanda e que se identificam com as sete vibrações, são aqueles Orixás que mais se identificam com uma única vibração.

Os nomes das forças existentes em cada reino foram batizados com nomes em Tupi antigo, pois é a língua que mais se identifica com nosso planeta e com a doutrina seguida pelo Núcleo Mata Verde.

Este assunto não será esgotado neste texto, estamos fazendo somente uma ligeira apresentação dos principios básicos da doutrina.

REINO DO FOGO
Vela





 























Qualidade: Iniciativa, força, destruição


Orixá: Ogum


Força: Ígnea


Nome tupi: Tatá Pyatã


Elemento ritualístico: Velas


Cor: Vermelho


 REINO DA TERRA


Pedras
 























Qualidade: Estrutura, leis, regras, justiça


Orixá: Xangô


Força: Telúrica


Nome tupi: Yby Pyatã


Elemento ritualístico: pedras, cristais, formas, pontos riscados


Cor: Marrom






REINO DO AR

Incensos






























Qualidade: Expansão, comunicação
 Orixá: Iansã
Força: eólica
Nome tupi: Ybytu Pyatã
Elemento ritualístico: Essências, defumação, pontos cantados
Cor: Amarelo
REINO DA ÁGUA



















Qualidade: adaptação, emoções, amor
Orixá: Iemanjá
Força: Hídrica
Nome tupi: Y Pyatã
Elemento ritualístico: Banhos, bebidas
Cor: Azul Claro
REINO DAS MATAS


























Ervas
Qualidade: Individualidade, independência
Orixá: Oxossi
Força: Vegetal e Animal
Nome tupi: Caá Pyatã
Elemento ritualístico: ervas, flores, frutas, animais, aves
Cor: Verde
REINO DA HUMANIDADE






















Mediuns
Qualidade: Fraternidade, Fé
Orixá: Oxalá
Força: Hominal
Nome tupi: Abá Pyatã
Elemento ritualístico: Os médiuns, as pessoas
Cor: Branco
REINO DAS ALMAS


























Espiritos
Qualidade: Espiritualidade, Transcendência
Orixá: Omolu
Força: Espiritual
Nome tupi: Angá Pyatã
Elemento ritualístico: Os espíritos (Caboclos, Pretos Velhos, Crianças etc…)
Cor: Preto
Estas sete forças estão presentes em todos os lugares e em todas as pessoas, costumamos dizer que somos filhos de todos os Orixás, pois suas forças estão presentes em todos os momentos e em todas as coisas do universo.
Vamos dar um exemplo bem simples para facilitar o entendimento.
Pense em você, vamos identificar as sete vibrações em seu dia a dia:





















Sete Reinos Sagrados


A vibração do Reino do fogo, a força Tatá pyatã, a presença da força do Orixá Ogum é o calor do nosso corpo. Sabemos que todos os seres humanos tem uma determinada temperatura ( aproximadamente 36,5 ºC ), é esta energia que pertence ao reino do fogo, qualquer alteração brusca na temperatura do corpo ou mesmo na temperatura do planeta levará a morte.


O reino da Terra são as estruturas, a força Yby pyatã, a presença da força do orixá Xangô, tudo o que é sólido, no corpo são as estruturas do corpo humano, os ossos, os músculos.


O Reino do Ar está presente no ar que respiramos; a força Ybytu pyatã, a presença da força do Orixá Iansã, já pensou em ficar sem respirar?


Sem o ar não existe vida na Terra.


O Reino da Água, a força Y pyatã, a presença da força do Orixá Iemanjá, está presente no corpo humano na proporção de 75% (aproximadamente), sem água não existe a vida.


O Reino das Matas, a força Caá pyatã, a presença da força do Orixá Oxossi, está presente em nossa alimentação.


Na mitologia africana Oxossi é o caçador, é aquele que vai buscar o alimento da tribo.


É deste reino (das Matas) que provem toda a nossa alimentação: frutas, plantas, ervas, e até a carne animal.


Reino da Humanidade, a força Abá pyatã, a presença da força do Orixá Oxalá, são as pessoas.


É o relacionamento humano, o homem não pode viver isolado, ele é um ser social e é através deste processo social, que trocamos energias, fluidos e evoluímos espiritualmente.


Este reino está presente em nossa vida através dos relacionamentos que fazemos: sociedades comerciais, casamento, namoro e demais vínculos familiares; é também a fé que possuimos.


Reino das almas, a força Angá pyatã, a presença da força do Orixá Omolu, é o mundo espiritual que nos rodeia.


Vivemos em constante contato com seres espirituais, algumas vezes com seres elevados como em nossos Terreiros com os Caboclos, Preto-Velhos as Crianças; outras vezes com seres atrasados como os kiumbas, espíritos enganadores, obsessores.


A todo momento estamos nos relacionando com a espiritualidade.


O melhor exemplo da presença deste reino em nossa vida é o nosso próprio espírito que habita nosso corpo material.


Somos espíritos encarnados.


Perceba que todos os sete reinos estão presentes em nossa vida e que a vida humana (material e espiritual) é fruto deste processo evolutivo através dos sete reinos sagrados.


Finalizando pedimos a você que leia e releia com atenção este pequeno texto, pois ele apresenta conceitos básicos importantes da doutrina seguida no Núcleo Mata Verde; as dúvidas serão esclarecidas nas reuniões de estudos realizadas no Terreiro.


Saravá!


São Vicente, 14/11/2010


Manoel Lopes

sábado, 13 de novembro de 2010

A cura veio do mar…..

Nosso grupo havia iniciado os trabalhos há poucas semanas, ainda inexperientes nos surpreendíamos a cada gira com a presença de novas entidades. Acompanhado da mãe, o jovem André já tinha comparecido em duas giras e nas duas vezes o Caboclo Pena Verde o tinha preparado para algo maior. 




 Conta a mãe deseperada que já tinha ido em vários centros espíritas e terreiros em busca de uma cirurgia na cabeça do moço, pois ele tinha um problema congênito que provocava desmaios constantes, internações hospitalares freqüentes, e não tinha como resolver na medicina comum. Naquele dia a gira era de caboclos, e como sempre nos brindavam com um banquete de energia e conhecimento, mas de repente desce no terreiro uma entidade até então desconhecida por nós, falando enrolado e canbaleando de um lado para o outro, se identifica como Marinheiro Martin. Irreverente e brincalhão, segurava uma bebida em uma das mãos, e ao mesmo tempo desenhava círculos com baforadas de fumaça. 


Zambi tinha atendido o pedido daquela mãe desesperada, pois Marinheiro Martin vai até o André e avisa que veio trazer a cura para seu problema. Pede à cambone que providencie uma faca, pinça, tesoura, toalhas, algodão, e explica que a cirurgia iria acontecer no perispírito do moço, portanto não deveriam ficar nervosos. Momentaneamente André entra em aparente estado de sonolência e o Marinheiro Martin começa a trabalhar sobre sua cabeça, utilizando-se de todos os instrumentos por cerca de quinze minutos.




 Durante o processo a cambone começa a ter uma crise de tosse e um forte cheiro de éter toma conta do ambiente, enquanto em uma pequena toalha branca o Marinheiro embrulha algo e pede que aquilo seja descartado em água corrente.

André se restabelece e Marinheiro Martin lhe dá um abraço e brinca dizendo que não tinha sido tão complicado…
Dois anos se passaram desse episódio e o Marinheiro Martinn passou a freqüentar nossa gira sempre que pode, quanto ao André, ficou totalmente curado, leva uma vida normal e nunca mais teve desmaios.

A Costa Marujada! Trunfá Marinheiro Martin!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Evitando Obsessões...

QUINTA-FEIRA, 11 DE NOVEMBRO DE 2010

Evitando Obsessões...


Não deixe de sonhar, mas enfrente as suas realidades no cotidiano.

Reduza suas queixas ao mínimo, quando não possa dominá-las de todo.

Fale tranquilizando a quem ouve.

Deixe que os outros vivam a existência deles, tanto quanto você deseja viver a existência que Deus lhe deu.

Não descreia do poder do trabalho.

Nunca admita que o bem possa ser praticado sem dificuldade.

Cultive a perseverança, na direção do melhor, jamais a teimosia em pontos de vista.

Aceite suas desilusões com realismo, extraindo delas o valor da experiência, sem perder tempo com lamentações improdutivas.

Convença-se de que você somente solucionará os seus problemas se não fugir deles.

Recorde que decepções, embaraços, desenganos e provações são marcos no caminho de todos e que, por isso mesmo, para evitar o próprio enfaixamento na obsessão o que importa não é o sofrimento que nos visite e sim a nossa reação pessoal diante dele.

Pelo Espírito André Luiz
Do livro "Paz e Renovação" - Francisco C. Xavier

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

UMA VIAGEM ESPIRITUAL NO UMBRAL EXTRAFÍSICO

Eram 03h30min da madrugada.

Eu escrevia uma apostila do curso de experiências fora do corpo. O sono começou a me incomodar e resolvi ir deitar. Pensei em continuar a apostila durante o dia.

Deitei-me ao lado de minha esposa, mas educadamente empurrei o corpo dela pra o canto da cama, pois já sei, que se fizer um trabalho energético muito perto, a incomodo, além de piorar, se eu por acaso encostar nela (dá uma fusão energética intensa e perco a projeção ou o momento da saída).

Comecei a mobilizar as energias de forma intensa e pensei: "Eu vou ficar bem concentrado nisso até sair do corpo!"

Senti uma dificuldade energética na área da garganta e fiz um estado vibracional** localizado, até que melhorou.

Perdi a consciência depois de um tempo de exercícios energéticos.

Minha consciência despertou ao lado de um espírito, que mexia nas minhas energias, acredito que por isso eu consegui abrir a lucidez naquele momento.

O local era horrível, escuro, com barulhos de gritos que vinham de todo lado.

O espírito amigo me disse:

"Preste atenção! Estamos aqui para socorrer um amigo, ele se perdeu aqui e já é a quinta vez que tentamos tirá-lo desse lugar. Está vendo aquele ponto ali?" - Ele falou isso enquanto apontava para um tipo de amontoado de lama com madeira.

Eu falei: "Vejo sim!"

"Você é o quinto projetor que pegamos e ninguém ainda conseguiu passar dali. Não ajude ninguém durante o caminho, não se concentre em nada. Você irá entrar disfarçado comigo, e se nos descobrirem, você irá acordar pensando que foi um pesadelo, e sentirá uma energia desagradável. É só você me seguir, pise onde eu pisar; é só seguir os meus passos.

Eu, claro, depois dessa já estava olhando tudo com o máximo de atenção, e também com certo receio.

Íamos andando a passos lentos, e ainda pensei: "Por que não voamos?"

A resposta do espírito veio rápida na mente: "Voar? Estamos disfarçados!"

Eu pisava exatamente onde ele pisava. Era uma lama, ele pisava e deixava um buraco. Reparei que a minha era roupa igual à dele: era marrom e eu usava uma bota. E fazia um barulho estranho a cada pisada, como se estivéssemos andando em um tipo de lama bem grossa.

Eu olhava para todos os lados, com medo de algo pular em cima de nós, pois eu via cada cena horripilante. Teve uma hora em que pensei ter pisado numa poça de sangue com algo amarelo, simplesmente nojento. Chegamos ao ponto de onde os outros projetores não conseguiam passar, e reparei o motivo disso. Era um lugar onde havia muitos espíritos sofredores, jogados para todo lado.

Em minha mente surgiu à resposta: eram espíritos que já tinham sido vampirizados até a última gota das suas energias, e estavam totalmente desfigurados. Alguns sem pernas. As suas faces, totalmente desfiguradas. Aquilo parecia um verdadeiro inferno.

E os gritos? Choros, uns nem força tinham para gritar. Como existem lugares iguais a esse? - pensei. Mas é, na verdade o reflexo do próprio homem e seus desequilíbrios.

Perdendo-me em pensamentos, durante um momento passei por um lugar, e acho que pisei em algum espírito, pois ele deu um grito forte. Eu me abaixei para ajudá-lo, e aí vi a bobagem que fiz. O espírito amigo ainda tentou me segurar, mas não deu tempo.

Ouvi um grito alto, que me jogou uma energia densa, nesses termos:

“ Ô pra ti, ó!”“.

E senti uma energia forte vindo de vários lugares. Pareceu ser um tipo de alarme.

O amigo que vinha comigo não tinha sido identificado, eu era o alvo, pois tinha tentado ajudar alguém. De alguma forma, ao fazer aquilo, eu joguei uma energia diferente no ar, e isso causou uma repercussão no ambiente.

Então vi meu amigo entrar em cena, começando a exteriorizar energias na direção dos agressores extra físicos. Eram uns seis, no mínimo. Eu fiquei ali perto dele, quando o ouvi falar mentalmente:

“Vamos lá, Doutor! Agora que vacilou, começa a ajudar na defesa energética."

Então, eu levantei as mãos e comecei a ajudar. Comecei a me achar o máximo, pois vinha um dos espíritos, eu jogava uma energia e o cara voava longe (parecia cena de filme chinês de Kung-Fu). Começou a encher, chegavam mais e mais assediadores. Eu já não conseguia me defender direito e perdi a conta de quantos tinham; comecei a sentir uma agonia. Sentia uma energia forte me atingir, até impressão de falta de ar eu comecei a sentir.

Até que meu amigo falou mentalmente:

"É, vou ter que pedir ajuda. Segura as pontas aí!"

Ele fechou os olhos por alguns segundos. De repente, senti uma energia forte varrer todo o local em que estávamos, e vi todos os espíritos baterem em retirada. Uma coisa incrível, simplesmente todos correram como que desesperados. Mas o que seria?

Eu não conseguia ver também. Até que senti uma pequena mão pegar nas minhas. Quando olho para o meu lado, vejo uma menina que aparentava uns seis ou sete anos de idade. De olhos praticamente fechados (era o que parecia), ela saudou o amigo e imediatamente me puxou dali. Uma coisa maravilhosa me dominou. Pois eu saí de uma energia pesada e entrei num lugar muito lindo. Um tipo de jardim com bancos.

Olhei para aquela menina e fui agradecer a bondade dela. Até então, não tinha caído à ficha de quem seria ela. Até a tratei como criança, agradecendo meio que brincando.

Quando, então, a ouvi mentalmente falar, de forma muito calma e muito serena:

"Ô Saulo! Sabe que vocês hoje tentaram socorrer um amigo da equipe que trabalhava nesses lugares. Ele se desequilibrou por causa de uma falha dentro dele mesmo, ele recebeu as energias dos seres daquele lugar, que o aprisionaram ali. Aquele rapaz que estava com você era um incansável amigo da equipe dele, que está tentando de toda forma tirá-lo dali. Aquela é uma zona de nível espiritual muito baixo. Esse rapaz que está preso lá, já esteve preso antes ali."

Eu falei: "Tá me dizendo que tem um amparador extra físico preso naquela região?"

"Não é bem isso", respondeu ela calmamente.

"Ele é sim o que podemos chamar de amparador, mas tem seus defeitos também. Ele se desequilibrou, apesar dos cursos e da preparação que tinha. Isso acontece, às vezes, o que mostra que o equilíbrio está dentro de nós mesmos, não importando se mora lá embaixo ou aqui."

Eu perguntei: "Diga-me uma coisa, como conseguiu fazer aquilo? Colocar todos para correrem?"

"Saulo, às vezes a energia aqui é como força física. Uma mente equilibrada sempre pode mais do que a força. Basta querer e se concentrar."

E perguntei, novamente: "Desculpe-me perguntar, mas fico assustado ao ver uma menina de seis anos falar assim. Você é muito fofa, mas é óbvio que é uma amparadora.

Por que está com forma de criança? Pergunto isso, pois, por coincidência, recentemente comentei isso com amigos."

Ela respondeu:

"Eu vou reencarnar em breve. Eu preciso já ficar na forma feminina, mas prefiro ficar como criança. As pessoas se desequilibram muito fácil, por causa do instinto humano, por isso prefiro ficar na forma de menina."

Eu: "Vai reencarnar quando?"

"Daqui a uns 25 anos, mais ou menos, disse ela.

"E isso é breve?", e dei uma boa risada.

A conversa continuou durante um bom tempo, só que não me lembro de mais nada, além dessa minha risada. Lembro-me de abrir os olhos no corpo, onde fiquei imóvel na cama sabendo que tinha que me lembrar de algo. Logo me veio a imagem do local horrível.

E começou a me chegar tudo o que escrevi acima.

Porém, agora comecei a meditar nos acontecimentos.

Como pode um amparador extra físico ficar preso?

Isso é muito intrigante, pois mostra que os amparadores também são falhos, mas é claro que existem milhares deles, e possivelmente, de alguma forma, ele foi levado para aquele desequilíbrio, que, infelizmente eu não pude ajudar.

Fui avisado pelo amigo de que não podia ajudar ninguém na passagem, mas não entendi muito bem a mensagem. Realmente sinto muito por não ter conseguido ajudar. Meu coração se parte em dois pedaços, um pelo rapaz preso, e outro pelo empenhado amigo que não descansa, querendo socorrê-lo.

Vou me colocar novamente à disposição dele, se precisar, e da próxima vez tentar ser mais equilibrado.

Agora, a segunda parte foi formidável. Quem era aquela figura angelical?

Que coisa mais linda! Agora que voltei ao corpo, percebo de forma clara com quem eu estava. E fico pensando: eu estava lá com o amigo exteriorizando energias com uma dificuldade incrível para se defender, então ela chegou e em um segundo todos correram. E me questiono: "Por que ela não vai pegar o cara lá que está preso?

Imagino que ela seja muito sutil para isso, por isso eles têm que pegar os projetores astrais, devido à densidade das energias de seus corpos e do cordão de prata.

Que coisa mais linda que ela era...

Sabe, apesar de ela ser a criança, era eu que queria ser carregado no colo por ela (e quem não queria?)

E a saudade que sinto dela agora?

Um amor fora de série, mesmo sem já poder me conectar na energia que estava naquele momento. Agora me lembro que, enquanto ela me explicava as coisas, me travava com carinho, pegando em minha mão, olhando-me e se comunicando de forma muito lúcida.

Percebi o quanto uma mente sadia é importante. Ela fez algo incrível. É até meio que vergonhoso, eu, um projetor, lá me esforçando na proteção energética, e chega uma criança e faz o trabalho meio que brincando.



P.S.:
Bem, hoje fiquei conectado com as energias dessa amparadora o dia todo.
Pois é... Quanto a aprender, começo a perceber que a criança aqui sou eu...


Abraços.

- Saulo Calderon -

sábado, 6 de novembro de 2010

Exu Marabô

Postado por LUIZ CARLOS PEREIRA


O reino estava desolado ela  súbita doença que cometera  a rainha. Dia após dia, a soberana definhava sobre a cama e nada mais parecia haver que pudesse ser feito para restituir-lhe a saúde. O rei, totalmente apaixonado pela mulher, já tentara de tudo, gastara vultosas somas pagando longas viagens para os médicos dos recantos mais longínquos e nenhum deles fora capaz sequer de descobrir qual era a enfermidade que roubava a vida da jovem. Um dia, sentado cabisbaixo na sala do trono, foi informado que havia um negro querendo falar com ele sobre a doença fatídica que rondava o palácio. Apesar de totalmente incrédulo quanto a novidades sobre o caso pediu que o trouxessem à sua presença. Ficou impressionado com o porte do homem que se apresentou. Negro, muito alto e forte, vestia trajes nada apropriados para uma audiência real, apenas uma espécie de toalha negra envolta nos quadris e um colar de ossos de animais ao pescoço. - Meu nome é Perostino majestade. E sei qual o mal atinge nossa rainha. Leve-me até ela e a curarei. A dúvida envolveu o monarca em pensamentos desordenados. Como um homem que tinha toda a aparência de um feiticeiro ou rezador ou fosse lá o que fosse iria conseguir o que os mais graduados médicos não conseguiram? Mas o desejo de ver sua amada curada foi maior que o preconceito e o negro foi levado ao quarto real. Durante três dias e três noites permaneceu no quarto pedindo ervas, pedras, animais e toda espécie de materiais naturais. Todos no palácio julgavam isso uma loucura. Como o rei podia expor sua mulher a um tratamento claramente rudimentar como aquele? No entanto, no quarto dia, a rainha levantou-se e saiu a passear pelos gramados como se nada houvesse acontecido. O casal ficou tão feliz pelo milagre acontecido que fizeram de Perostino um homem rico e todos os casos de doença no palácio a partir daí eram encaminhados a ele que a todos curava. Sua fama correu pelo reino e o negro tornou-se uma espécie de amuleto para os reis. Logo surgiram comentários que ele seria um primeiro ministro que agradaria a todos, apesar de sua cor e origem, que ninguém conhecia. Ao tomar conhecimento desse fato o rei indignou-se, ele tinha muita gratidão pelo homem, mas torná-lo autoridade? Isso nunca! Chamou-o a sua presença e pediu que ele se retirasse do palácio, pois já não era mais necessário ali. O ódio tomou conta da alma de Perostino e imediatamente começou a arquitetar um plano. Disse humildemente que iria embora, mas que gostaria de participar de um último jantar com a família real. Contente por haver conseguido se livrar do incomodo, o rei aceitou o trato e marcou o jantar para aquela mesma noite. Sem que ninguém percebesse, Perostino colocou um veneno fortíssimo na comida que seria servida e, durante o jantar, os reis caíram mortos sobre a mesa sob o olhar malévolo de seu algoz. Sabendo que seu crime seria descoberto fugiu embrenhando-se nas matas. Arrependeu-se muito quando caiu em si, mas seus últimos dias foram pesados e duros pela dor da consciência que lhe pesava. Um ano depois dos acontecimentos aqui narrados deixou o corpo carnal vitimado por uma doença que lhe cobriu de feridas.
Muitos anos foram necessários para que seu espírito encontra-se o caminho a qual se dedica até hoje. Depois de muito aprendizado foi encaminhado para uma das linhas de trabalho do Exu Marabô e até hoje, quando em terra, aprecia as bebidas finas e o luxo ao qual foi acostumado naquele reino distante. Tornou-se um espírito sério e compenetrado que a todos atende com atenção e respeito. Saravá o Sr. Marabô!
Obs.: A Falange do Exu Marabô é formada por inúmeros falangeiros que levam seu nome e esta é apenas uma das muitas histórias que eles têm para nos contar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sacrifício de Animais não é tudo!

Publicado por:Pai Caio de Omulu 

No meu livro "Umbanda Omolocô - Liturgia, Rito e Convergência na visão de um adepto", tem um capítulo inteiro dedicado ao rito de sacrifício de animais. Na verdade realizo uma defesa da necessidade de sua utilização, tentando fundamentá-lo e apresentando, ao meu ver, argumentos consistentes para sua existência.

Assunto polêmico nas rodas umbandistas, tema sem consenso para muitos, não desejo entrar aqui, de forma nenhuma, na validade de seu uso e prática.
O meu intuito é chamar a atenção para um fenômeno que começa a me preocupar como estudioso umbandista, o uso indiscriminado do sacrifício de animais na rotina dos trabalhos espirituais das casas que o praticam.

É incrível como em alguns locais não se faz mais nada, sem que não se tenha um sacrifício de animal pelo meio. Para solucionar qualquer tipo de problema realize uma consulta e depois mate um ou mais bichinhos! Parece que esta passou ser a lei em determinados terreiros.

Não estou falando aqui de sacrifício de bicho de quatro pés (boi, cabra, bode) estou falando do que é mais fácil, cômodo, rápido e lucrativo de se sacrificar o cocoricó, o frango ou a galinha, ou seja, bicho de dois pés.

Nestes recantos que apregoam o sacrifício de animais como solução para todos os males, o axé vermelho (sangue) passou a ser o alimento (oferenda) indispensável, principalmente para Exús, Pomba-giras e os Orixás.
Diante desta realidade, alerta, DIETA JÁ!!! Tem exús ficando preguiçosos de tanto serem alimentados, pomba-giras reclamando dos quilinhos a mais e Orixás se perguntando se este cardápio não muda.

Brincadeiras a parte, cadê as milhares de formas existentes de trabalhos, dentro da riqueza dos nosssos ritos? Cadê as comidas de santo? Os pontos riscados e os ponteiros? Os descarregos de pólvora e os pontos de fogo? A utilização dos elementos da natureza (folhas, ervas, águas, sementes etc.)? Onde foram parar as rezas fortes, os benzimentos, as giras com velas, os trabalhos realizados pela incorporação de entidades, que fazem suas mirongas utilizando vários objetos, sem que necessariamente exista como componente básico o axé vermelho?

Minha gente, o rito de sacrifícios de animais é um ritual de EXCEÇÃO, ou seja, deve ser utilizado somente em casos especiais, situações a margem do normal, após o estudo minuncioso de um caso em particular, ou em rituais específicos e em última instância.

E mesmo assim, se houver um outro caminho, que exista a ponderação de deixá-lo de lado. Por ser perigoso ou incorrer em algum risco? Poderia ser formulado esta pergunta e a resposta seria NÃO!
Tradicionalmente, historicamente, e mesmo como manipulação de determinadas leis magísticas, o derramamento do axé vermelho cumpre o seu papel, tem sua validade e sobrevive, por isso, até hoje.

Engraçado é que terreiros que durante boa parte da sua existência nunca fizeram uso do rito de sacrifício de animais e que por mudança de ritual ou por outro motivo qualquer, passaram a incorporar esta tradição, consideram este fato como uma conquista evolutiva. A bem da verdade, não pode existir evolução espiritual nenhuma ao se dispor da vida de um ser vivo, mesmo que este esteja em uma condição inferior na escala evolutiva.

O pior é que se você for bem mais a fundo em determinados casos, da para perceber que o uso indiscriminado do sacrifício de animais em alguns terreiros existe por conta dos seguintes pontos:
a) É um ritual que provoca um impacto para o consulente;
b) É um rito complexo, que muitas vezes, envolve uma certa quantidade de outros materiais, na maioria das vezes comprado no terreiro, onde se está sendo feito o trabalho, a um custo muito superior ao de mercado;
c) É um rito que gera uma salva ou mão como se fala comumente (pagamento em dinheiro) por corte (animal sacrificado);
d) E, por fim, as partes do animal sacrificado que não são usados, ficam geralmente para a casa, em vez de serem distribuídos com os mais carentes.

Tem gente enriquecendo com isto, tem gente que não sabe fazer mais nada que não envolva este rito, tem que gente que somente encontra solução de alguma coisa se praticar este rito.

Com tudo que expus, quero deixar, bem claro, que se o rito de sacrifício de animais é uma exceção, exceção também são os terreiros que trabalham errado, da forma como descrevi acima.

É fato caro leitor, que dentro do universo umbandista, dos cultos afrobrasileiros e do Candomblé milhares de locais trabalham com este ritual de forma responsável e colocando-o no seu devido papel de rito especial. Outra coisa, evidentemente existem milhares de locais, principalmente no movimento umbandista, que não se utilizam deste ritual e nem por isso os trabalhos por eles realizados tem pouco ou mais valor do que o dos outros.

Como adepto do Culto Omolocô tenho a experiência deste ritual no dia-a-dia da minha vida religiosa, escrevi uma defesa ferrenha no livro citado, acredito na sua utilidade, embora, como também deixei bastante destacado no livro, tenho certeza, que em um futuro bem próximo este rito será substituído por formas mais evoluídas de ritual, não envolvendo mais o sacrifício de animais.

Em, outras palavras, se como adepto cumpri o meu papel de validar o uso responsável deste ritual, fundamentando-o e demonstrando uma linha de raciocínio lógico para sua existência, como cidadão planetário e espírito em evolução, como todos os que se encontram neste planeta, não me vejo em contradição ao afirmar que Sacrifício de Animais não é tudo!
Acreditar na faca como objeto útil para ajudar a cortar o alimento que me mata a fome, não significa aceitar que se use ela para tirar a vida de alguém!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Moisés e o Espiritismo

Moisés e o Espiritismo




A condenação do Espiritismo pela Bíblia, que é a mais citada e repetida, figura no Cap. 19 do Deuteronômio. É a condenação de Moisés, que vai do versículo 9 ao 14.

A tradução, como sempre, varia de um tradutor para outro, e às vezes nas diversas edições da mesma tradução.

Moisés proíbe os judeus, quando se estabeleceram em Canaã, de praticar estas abominações: fazer os filhos passarem pelo fogo; entregar-se à adivinhação, prognosticar, agourar ou fazer feitiçaria; fazer encantamento, necromancia, magia, ou consultar os mortos. E Moisés acrescenta, no versículo 14: “Porque essas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores, porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal coisa”. Assim está na tradução de Almeida, mas variando de forma, por exemplo, na edição das Sociedades Bíblicas Unidas e na edição mais recente da Sociedade Bíblica do Brasil.

Na primeira dessas edições (ambas da mesma tradução de João Ferreira de Almeida) lê-se, por exemplo: “quem pergunte a um espírito adivinhante”, e na segunda: “quem consulte os mortos”. Na tradução de António Pereira de Figueiredo, lê-se: “nem quem indague dos mortos a verdade”.

Qual delas estará mais de acordo com o texto? Seja qual for, pouco importa, pois a verdade dita pelos mortos ou pelos vivos (estes, mortos na carne) é que tudo isso que Moisés condena, também o Espiritismocondena.

Não esqueçamos, porém, de que a condenação de Moisés era circunstancial, pois os povos de Canaã, que os judeus iam conquistar a fio de espada, eram os que praticavam essas coisas.

Mas a condenação do Espiritismo é permanente e geral, pois o Espiritismo, sendo essencialmente cristão, não se interessa por conquistas guerreiras e não faz divisão entre os povos.

Kardec adverte em O Evangelho Segundo o Espiritismo, livro de estudo das partes morais do Evangelho: “Não soliciteis milagres nem prodígios ao Espiritismo, porque ele declara formalmente que não os produz”. (Cap. XXI: 7).

Em O Livro dos MédiunsKardec adverte: “Julgar o Espiritismo pelo que ele não admite, é dar prova de ignorância e desvalorizar a própria opinião”. (Cap. 11:14).

Em A Gênese e em O Livro dos Espíritos, como nos já citados, Kardecesclarece que a finalidade da prática espírita é moralizar os homens e os povos.

Quem conhece o Espiritismo sabe que todo interesse pessoal, particular, é rigorosamente condenado.

Adivinhações, agouros, feitiçaria, encantamentos, consultar interesseiras, são práticas de magia antiga, que Moisés condenou, como o Espiritismo condena hoje.

Mas o próprio Moisés aprovou a mediunidade moralizadora, a prática espiritual da relação com o mundo invisível, como veremos.

Moisés, o grande legislador judeu, médium de excepcionais faculdades, não condenou, mas praticou a mediunidade e desejava vê-la praticada pelo seu povo. Ele recebia espíritos, conversava com espíritos, evocava espíritos, e além disso fazia-se acompanhar no deserto por uma equipe de médiuns, provocando até mesmo fenômenos de materialização. Mas vamos agora a um episódio que pastores e padres não citam, mas que está na Bíblia, em todas as traduções.

O professor Romeu do Amaral Camargo, que foi diácono da l Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, comenta esse episódio em seu livro espírita De cá e de Lá. É o constante do livro de Números, Cap. 11, versículos 26 a 29. Foi logo após a reunião dos setenta médiuns na tenda, para a manifestação de Jeová.

Dois médiuns haviam ficado no campo: Eldad e Medad. E lá mesmo foram tomados e profetizavam, ou seja, davam comunicações de espíritos. Um jovem correu e denunciou o fato a Josué. Este pediu a Moisés que proibisse as comunicações.

A resposta de Moisés é um golpe de morte em todas as pretensas condenações do Espiritismo pela Bíblia. Eis o que diz o grande condutor do povo hebreu: “Que zelos são esses, que mostras por mim? Quem dera que todo o povo profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito”!

Comenta o professor Camargo: “Médium de extraordinárias faculdades, Moisés sabia que Eldad e Medad não eram mercenários nem mistificadores, não procuravam comunicar-se com o mundo invisível, mas eram procurados pelos espíritos”.

Como acabamos de ver, Moisés aprovava a mediunidade pura que oEspiritismo aprova e defende. Mas o pior cego é o que não quer ver, principalmente quando fechar os olhos é conveniente e proveitoso.

José Herculano Pires
No livro “Visão Espírita da Bíblia”


* * *
As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?” Mahatma Gandhi

terça-feira, 2 de novembro de 2010

No túmulo coberto pelo mato, havia uma rosa vermelha

No túmulo coberto pelo mato, havia uma rosa vermelha



O DIA DE FINADOS ESTÁ CHEGANDO…e novamente os cemitérios estarão cheios de pessoas visitando os seus entes queridos que já partiram desse mundo. Mas a grande maioria das famílias já esqueceram de seus antepassados e já não encontram motivos para se deslocarem até a calunga pequena, afinal ELES não estão lá! não é mesmo?… apenas seus restos mortais ficaram….. Um pensamento meu de amor, vale muito mais que ir ao cemitério!…. e por aí vai…. desculpas e mais desculpas para justificar a falta da dor, que agora é suportável……
Mas a coisa não é tão simples como imaginamos!
Outubro de 2009, mais precisamente na última gira do mês, tivemos a visita do Sr. Exu Caveira que nos disse:
- Quantos de vocês irão visitar a calunga na próxima semana? (apenas duas pessoas sinalizaram com a mão)
- Todos vocês deverão ir…. porque EU assim determino!…. e levarão sete rosas vermelhas cada um, e irão depositar nas sete mais pobres das lápides que encontrarem.
E seguindo as ordens do Mestre da Calunga, no dia de Finados fomos ao cemitério e depositamos as rosas em túmulos que aparentavam estar abandonados. Quando estávamos voltando para casa minha esposa comentou que sentia uma alegria inexplicável. Na mesma semana, tivemos a gira de direita, e um irmão anônimo falou:
- Vim aqui apenas para agradecer! Todos os anos no dia de Finados, é permitido que Eu entre outros, visitem nossa última morada na esperança de rever aqueles que nos foram caros. Muitos de nós são agraciados com esse momento de saudade e alegria, mas a grande maioria não consegue rever aqueles que amaram. Porque nesse dia? perguntarão vocês!…. não sei explicar o motivo, só sei que nesse dia lá na calunga, Deus permite que nossos olhos possam ver além do que podem ver. Todos os anos eu vou a esse encontro, confesso que não tive a felicidade de rever minha família, mas não fico triste, pois com certeza superaram a minha falta e estão bem. Como disse, hoje vim apenas agradecer, porque dessa vez fui às lágrimas quando vi que em meio ao mato que encobre minha lápide, havia uma rosa vermelha. Seu brilho podia ser notado a distância e o perfume que dela exalava contagiava a todos que se aproximavam. Muitos como eu, nesse dia não puderam rever seus pares, mas fomos abençoados pela magia daquela rosa enviada por Oxalá.
Saravá meus Irmãos!
Laroiê Sr. Exu Caveira

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A vida no Umbral (Parte 3/3)

A vida no Umbral (Parte 3/3)


Os Samaritanos

Os samaritanos, que também são chamados de missionáriossocorristasemissários, são trabalhadores dos postos de socorro que saem em caravanas pelo Umbral e pela crosta do Planeta Terra à procura de pessoas e socorrem os que pedem auxílio.

Se vestem com capas e gorros de cor bege ou marrom-claro e botas altas. Desta forma peregrinam pelo Umbral sem serem percebidos. Muitas vezes são invisíveis aos sentidos de espíritos de baixa vibração.

Existem relatos onde os samaritanos contam com a ajuda de cavalos para percorrer distâncias maiores e cães que são utilizados como proteção. Outros relatos falam sobre a existência de veículos especiais chamados de Aeróbus*.

Raras são as excursões em que não ocorrem ataques aos samaritanos. São atacados por espíritos maldosos que podem se transfigurar em criaturas horrendas com o intuito de intimidar e amedrontar as caravanas. Os que atacam jogam pedras, paus, lama, matéria podre e alguns chegam a construir armas que não fazem qualquer efeito aos samaritanos. Para defesa utiliza-se ainda redes de proteção e armas que emitem eletricidade. Ao serem atingidos por este tipo de raio o espírito entra em um processo semelhante ao da morte, pois lhe faz relembrar todo sofrimento que passou em sua mais recente desencarnação. Com medo, muitos espíritos só tentam intimidar, e muitas vezes se afastam em desespero.

Existem situações em que os Samaritanos precisam resgatar pessoas dentro das populosas cidades do Umbral. A forma como fazem isto depende do tipo de cidade. Existem casos em que pedem autorização aos lideres da região. Em outros a pessoa a ser resgatada não é de interesse dos moradores da cidade e neste caso não existe problema algum em entrar e levar estas pessoas. Existem ainda situações em que precisam utilizar disfarces ou entrarem sem serem vistos pelos habitantes do local. Em situações de perigo podem mudar de vibração, se tornando invisíveis. Desta forma não podem ser capturados pelos espíritos trevosos do Umbral. Muitos habitantes do Umbral sabem quem são e o que podem fazer e mantêm um ar de respeito quando estão presentes.

Ao resgatarem algumas dezenas de espíritos, os samaritanos retornam ao seu posto de socorro. São verdadeiros farrapos humanos, alguns seminus, outros com suas roupas em trapos e o corpo imundo e ferido. No posto os espíritos são tratados e orientados. O tratamento pode levar alguns dias ou alguns meses. Continuam livres e podem optar por retornar ao Umbral ou seguir para uma Colônia, onde terminarão seu tratamento e passarão a frequentar aulas e cursos para que se informem sobre sua atual situação após a morte.

Um espírito só pode ser ajudado pelos samaritanos quando deseja com sinceridade ser ajudado. Não se pode ajudar ninguém à força. Não se perde tempo resgatando espíritos revoltados, pois se não querem mudar, não poderão mudar à força. Sua revolta ainda poderá atrapalhar os trabalhos e a recuperação de outros espíritos dentro dos postos e hospitais.

Existem casos em que os espíritos se encontram em níveis tão baixos de vibração que não conseguem ver e se comunicar com os samaritanos. Desta forma não podem ser ajudados.

Relatos mostram que em determinados casos os samaritanos podem convencer o espírito a ter vontade de melhorar, de ser socorrido e ajudado. É possível mostrar a estes espíritos imagens das colônias e da felicidade e paz que poderá ter. Este trabalho de convencimento pode passar pelo uso da força. É o caso de fazer o espírito se recordar do sofrimento, dor e angústia que passou no passado, fazendo o mesmo desejar sair daquela situação.

São muitos os espíritos que, mesmo em estado deplorável no Umbral, preferem continuar na vida em que estão. Isto não é muito diferente do que existem aqui na Terra. Uma parcela dos moradores de rua, mendigos, idosos e crianças continuam nas ruas por opção. Não suportam os abrigos, a limpeza, a organização, a necessidade de obedecer a alguém. Preferem viver livres de qualquer lei, norma, organização, junto da miséria. Infelizmente só se pode ajudar alguém quando este alguém quer realmente ser ajudado.


* * *

* Aeróbus - Carro suspenso do solo a uma altura de cinco metros. Seu sistema de tração se dá por meio de cabos, como os teleféricos. Constituído de material muito flexível, possui enorme comprimento. Descrito por André Luiz no livro Nosso Lar, constituía na época o meio de locomoção mais usado na colônia. Muito veloz, o aeróbus fazia ligeiras paradas de três em três quilômetros. (Livro 'Nosso Lar' / Cap. 10 – André luiz / Chico Xavier)

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